2009-06-28

Na vertigem de me perder...

Há dias que nos sugam o tutano, em que deixamos, que nos suguem! Onde para além das batalhas de todos os dias, surgem outras envoltas em bruma que já não nos lembrávamos que existiam. Como fantasmas a lembrar-nos que as assombrações podem estar sempre à espreita!
Nesses dias, a tentação de despir a própria pele ao fim do dia, como se fosse meramente uma carcaça, uma armadura que necessita de ser limpa, como se ao lavá-la, pudesse depois voltar a ser eu mesma, como se esse pequeno descanso me desse espaço outra vez, chega a ser esmagadora!

Para além de todos os pequenos sinais que já sei ler em nós, é por nestes dias o acto de me convencer a ir ter contigo me sair tão natural, que me deixo ser eu novamente só porque respiras perto, que sei que não preciso de temer perder-me nas diferentes guerras, desde que estejas perto quando as mesmas chegam ao fim!

2009-06-10

A luta suspensa ou as tréguas por vir?

Olhando para trás, todos os pedaços em que fui a tua menina desaparecerem por baixo de toda a poeira das batalhas que ficaram a pairar no ar entre nós! Há alturas em que parece que todos os encontros deveriam implicar sempre o vestir de uma armadura, não vá a tensão transformar-se de um momento para o outro na batalha há tanto tempo adiada. O facto da mesma principiar e nunca chegar a suceder deixa, depois de todo este tempo marcas. Marcas que não ficam na pele que poderia ser protegida. Marcas que trago cá dentro e que me lembram que já não é a primeira vez que mas deixas!
Por artes mágicas, gostava de voltar ao tempo em que me ensinavas a andar de bicicleta. Nessa altura, não havia cicatrizes, não havia necessidade de me preparar para ti, sabia que tomavas conta de mim.
Agora um bom momento é aquele em que não sentes necessidade de medir forças ou de mostrar que ainda sabes liderar um ataque!
Desconfio que a possibilidade de umas tréguas entre nós caiam sobre mim, como sempre caíram de todas as vezes que duraram... Mas temo não ter já corpo para aguentar outra tareia... do mesmo modo que não tenho mente para prolongar esta ausência de luta entre nós...

2009-05-23

Despir o trabalho...

Avizinham-se 2 semanas ... 2 semanas para as quais corri uma semana inteira quase até perder o fôlego! Quase a pontos de me esquecer de mim mesma!
Agora é tempo de respirar, e nos primeiros dias parece que custa! É tempo de despir a correria, de trocar o fato de bombeira, de deixar cair "the game face"... de ser apenas eu. Confesso que tenho saudades minhas... Espero apenas que também as tenhas!

2009-05-12

Quando o sentido de dever nos chega...

Não me lembro de quem mo incutiu. Provavelmente herdei-o de um misto de observação e da minha capacidade de mergulhar em histórias alheias até ao tutano e arranjar sempre forma de vestir a pele dos heróis que sofrem e sangram! Sei apenas, que muitas vezes contra mim mesma, me vejo a tomar um caminho, ainda que parte de mim não queira, simplesmente porque sinto que o devo percorrer... Estranhamente há alturas em que nem sequer questiono o caminho, outras há, em que apesar de não gostar do sentido dos passos, o faço com uma mecânica segura porque sei que devo... ultimamente, no entanto, tenho o gosto doce de estar contigo na ausência de caminho, suspensa no tempo e no espaço... e depois de guardar esse gosto, ver-me a aterrar num caminho escuro, que não conheço nem acredito, apenas faz com que não o queira andar!
Nestes dias, nem o sentido do dever me empurra para a frente, apenas me faz estranhar mais o percurso, encará-lo como não sendo meu e por arrasto, questioná-lo!
A renegar o sentido do dever, tendo ele sido sempre meu, não posso deixar de me estranhar...

2009-04-15

Com ou sem tiquetaque?

Foi como de tivesse estado distraída a olhar para ti, ou como se por momentos o tempo tivesse parado. Parado para mim, enquanto o relógio marcava o tiquetaque do tempo para o resto do mundo... E depois de tudo o resto ter avançado no tempo, depois de me ter apercebido que eu tinha estado em suspenso, como que segura no teu olhar, que faço com esta ausência do mesmo, quando também a mim o tiquetaque persegue, lembrando-me que mesmo a magia tem hora? ...