2006-08-24

Idade da Inocência

Há pouco tempo acabei de ler o livro. Já o tinha há algum tempo e pegando nas lembranças que ainda tinha do filme de há mais de 10 anos (credo!) , fui lendo página a página, primeiro devagar e depois já com alguma ânsia, como quando queremos sorver algo com medo que desapareça...

Do filme guardei uma pontinha de tristeza porque O PAR não ficou junto, embora me lembre de ter sentido uma certa empatia com a situação... mas o livro é acima de tudo de uma crítica social tremenda. A sociedade nova-iorquina da altura é retratada ao pormenor, mostrando gente com a mania de ter que ser superior e distante da realidade decadente do velho mundo, pois não vale a pena descobrir um mundo novo, para o tornar igual ao outro!
É claro que ao lê-lo, Newland Archer não podia ser outro que não o Daniel Day Lewis, assim como a Ellen só podia ser a lindíssima Michelle Pfeiffer. Já a May, é retratada de uma forma tão desprovida de fibra, que é difícil imaginar alguém assim!

O livro também me deixou uma certa tristeza, mas pelo desperdício de tempo deles. Criaram uma ideia tão perfeita um do outro que cultivaram o amor deles nessa base, sem nunca guardarem no corpo o cheiro um do outro, sem gravarem os tiques e manias um do outro na sua mente.. e talvez por isso mesmo o amor ficou sempre intocável, puro... afinal é fácil amar a perfeição que se imagina de alguém! E mesmo no fim, quando já nem as amarras do “ser próprio” os podiam prender, creio que a ideia de destruírem o idílico cenário que criaram uma para o outro dentro de si, foi demasiado assustador...

E por isso fiquei com um gostinho amargo na boca!

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