Não sei se conhecem a estação de Alcântara-mar, mas para quem não apanha os autocarros que passam logo ali, tem que utilizar a passagem subterrânea que dá acesso à passagem para Alcântara-terra. Todos os dias da última semana tem sido um aventura utilizar essa passagem subterrânea! Todos os dias está alagada e a sua passagem só é possível porque os senhores do único café lá existente, cheios de boa vontade, colocam umas caixas de madeira, que dão uma passagem seca, se bem que algo periclitante, aos trausentes. É claro que o tempo que se demora a passar aumenta, uma vez que temos que ir todos em fila indiana e com cuidado para não ficarmos estatelados naquela água de aspecto duvidoso!
Já para não falar que o comércio que noutras alturas utiliza o túnel como montra para malas, carteiras e brinquedos electrónicos variados, fica sem poiso! O mesmo acontece aos habituais pares de testemunhas de jeóva que ainda não desistiram de tentar apanhar mais incautos que resolvam dedicar-se à fé!
E isto tudo quando estamos a discutir o racionamento de água a nível nacional... mas podemos ter um tunel alagado uma semana inteira! Isso pelos visto já não é problema!
E no meio de tudo isto será que a CP pede desculpa? Será que coloca um cartaz a dizer que conta ter a situação resolvida definitivamente a ... É caro que não! Afinal, as pessoas não têm mais nenhuma alternativa... por isso não há motivos de preocupação! O povinho, come e cala!
Divagacoes sobre as noticias que nos tocam e as situacoes do dia a dia que nos despertam pensares ou que simplesmente nos levam escrever...
2005-07-24
2005-07-17
Até à próxima patusco!
Quase todos os dias atravesso a passadeira de Âlcantara-mar para Âlcantara-terra de manhã. Durante muito tempo habituei-me ao gato que por lá estava quase sempre... e não era só eu a julgar pela quantidade de comida para gato que ele tinha sempre à disposição. Chamava-lhe patusco, o patusco de Âlcantara! Patusco por ser malhado: preto de branco e por viver livre... conheci uma senhora que apesar dos gatos de casa, também acolhia alguns no jardim e desses alguns o chefe da tribo era malhado e tratado simplesmente por patusco!
Quando começou a altura predilecta dos pequenos felinos irem às gatas, o patusco desapareceu por uns tempos... todos os dias espreitava para os cantos habituais e nada... mas a comida lá estava e dava-me ideia de ir mudando de sítio e de ser depenicada... menos mau. Até que um dia lá apareceu... estava dengoso como só os gatos sabem ser, deitado num canto, alheio às resmas de pessoas que por ele passavam. Cheguei mesmo a fazer-lhe festas que ele muito agradeceu, com um ronrom suave apesar da sua natureza desconfiada... fiquei quase orgulhosa!:)
Agora voltou a desaparecer... há já muito tempo que não digo: bom dia, patusco! Invarialvelmente espreito sempre, não vá ele ter voltado das suas férias... mas é sempre em vão... Nunca mais vi ninguém a deixar-lhe comida e os recipientes já habituais, acabaram por desaparecer... Digo a mim mesma que talvez ele tenha ido de ferias, que talvez um destes dias o veja de volta, sinto falta daquele seu ar desprendido e de o cumprimentar em surdina, para não soar demasiado excêntrica ao resto do rebanho!
Quando começou a altura predilecta dos pequenos felinos irem às gatas, o patusco desapareceu por uns tempos... todos os dias espreitava para os cantos habituais e nada... mas a comida lá estava e dava-me ideia de ir mudando de sítio e de ser depenicada... menos mau. Até que um dia lá apareceu... estava dengoso como só os gatos sabem ser, deitado num canto, alheio às resmas de pessoas que por ele passavam. Cheguei mesmo a fazer-lhe festas que ele muito agradeceu, com um ronrom suave apesar da sua natureza desconfiada... fiquei quase orgulhosa!:)
Agora voltou a desaparecer... há já muito tempo que não digo: bom dia, patusco! Invarialvelmente espreito sempre, não vá ele ter voltado das suas férias... mas é sempre em vão... Nunca mais vi ninguém a deixar-lhe comida e os recipientes já habituais, acabaram por desaparecer... Digo a mim mesma que talvez ele tenha ido de ferias, que talvez um destes dias o veja de volta, sinto falta daquele seu ar desprendido e de o cumprimentar em surdina, para não soar demasiado excêntrica ao resto do rebanho!
2005-02-26
Million Dollar Baby
![]() | É impossível não ver o filme e não agradecer a Clint Eastwood pelo simples facto de o ter feito! Para quem ainda tem a imagem do “Dirty Hary” como sendo a imagem de excelência deste homem, chega a fazer confusão como é possível que esta força criadora lá tenha estado sempre! Acredito que a passagem do tempo lhe tenha moldado melhor a visão. Mas é impossível não acreditar que este homem nasceu para ser realizador! |
Desde a voz do Morgan Freeman a acompanharmos durante o percurso, até toda aquela visão simples da vida, desprovida de adjectivos, de metáforas lindas. É como querer guardar o filme no coração para sempre!
Obrigada!
2004-10-24
Monólogos perdidos
Num destes dias de semana, enquanto esperava o comboio que me iria levar a Lisboa, reparei num senhor que chegou meio esbaforido apesar de ainda faltar algum tempo para o comboio... a sua entrada captou o meu olhar e pelo canto do olho estive a estudá-lo. Foi então que percebi que ele não vinha cansado, vinha chateado. Estava a dizer entre dentes um discurso qualquer onde expressava vivamente o seu ponto de vista que pelos vistos era muito distante da opinião do seu interlocutor imaginário! Apesar de fazer um esforço por não vociferar corporalmente, a sua face contorcia-se a cada palavra debidata, os seus olhos reviravam-se em exasperação pura por não se fazer compreender!...
Pensava que era a única que tecia argumentos enormes, que se transformavam em diálogos imaginários quando me quero fazer entender por alguém que imagino que não me entenda. Desenho então mil alternativas que num instante se transformam em acesas discussões co o vazio no desespero de me fazer entender!...
Afinal, nos dias que correm, onde o relógio é o nosso ditador supremo e onde quase ninguém tem tempo para ouvir ou para se fazer ouvir, acabamos por ter monólogos intermináveis, muitas vezes frente a um público anónimo, porque de facto nós somos os interlocutores que nos percebemos e que compreendemos a nossa necessidade imensa de falar e de sermos entendidos!
Pensava que era a única que tecia argumentos enormes, que se transformavam em diálogos imaginários quando me quero fazer entender por alguém que imagino que não me entenda. Desenho então mil alternativas que num instante se transformam em acesas discussões co o vazio no desespero de me fazer entender!...
Afinal, nos dias que correm, onde o relógio é o nosso ditador supremo e onde quase ninguém tem tempo para ouvir ou para se fazer ouvir, acabamos por ter monólogos intermináveis, muitas vezes frente a um público anónimo, porque de facto nós somos os interlocutores que nos percebemos e que compreendemos a nossa necessidade imensa de falar e de sermos entendidos!
No poupar é que está o ganho!
Este sábado ao colocar o lixo na rua, atrapalhei um senhor de idade que estava a vasculhar no lixo e que estava com umas calças de ganga na mão. Ao vê-lo quase que senti vontade de não ter que meter o lixo na rua, pois não estava certa de qual seria a maneira correcta de gerir o confronto... lá segui caminho e pedi licença para colocar o lixo no caixote.
O senhor virou-se para mim com a sua cara queimada do sol, com a pele bem vincada pelo passar dos anos com um sorriso aberto e com uns olhos de um azul tão limpído, tão fresco e tão franco que nunca poderiam esconder uma má vontade! Sorri-lhe de volta e dei um bom dia, naquele instante em que os nossos olhos se cruzaram foi como se o irreal da situação nem sequer existisse! Ele ganhou a dimensão da pessoa que sempre deveria ter e o facto de ter na mão umas calças resgatadas ao lixo não teve importância alguma! Respondeu-me ainda com o mesmo sorriso:
- No poupar é que está o ganho!
O senhor virou-se para mim com a sua cara queimada do sol, com a pele bem vincada pelo passar dos anos com um sorriso aberto e com uns olhos de um azul tão limpído, tão fresco e tão franco que nunca poderiam esconder uma má vontade! Sorri-lhe de volta e dei um bom dia, naquele instante em que os nossos olhos se cruzaram foi como se o irreal da situação nem sequer existisse! Ele ganhou a dimensão da pessoa que sempre deveria ter e o facto de ter na mão umas calças resgatadas ao lixo não teve importância alguma! Respondeu-me ainda com o mesmo sorriso:
- No poupar é que está o ganho!
2004-10-14
Não tem maldade, pois não menina?
Pelo menos uma a duas vezes por ano, há um senhor peculiar que apanha o comboio na linha de cascais. Tenho ideia que é sempre no inicio do Outono e no inicio da Primavera...
Tem uma voz forte, sonora. Em cada viagem escolhe sempre uma carruagem e é aí que investe no seu número! Começa sempre por desejar bom dia a todos os presentes. Vai avançando na carruagem devagar, escolhendo as pessoas que vão ser alvo do seu repertório. Como já o vi algumas 3 ou 4 vezes já reparei que há sempre um troço comum num número que apresenta, mas o que interessa é que continua a ser uma composição vencedora!
Para os homens há sempre as piadas mais fortes, mais malandras. Para as senhoras os discursos mais poéticos, mais florais, sempre seguidos de um: "Não me leva a mal, pois não menina? Não é com maldade. Não tem maldade, pois não?".
E lá vai seguindo cumprimentando toda a gente carruagem a fora:
- Qual é a ultima coisa que tira, ao deitar? Nada?! Não tira nada ?! Tem a certeza? ai, não tira os pés do chão?
Ao chegar ao final da carruagem já está toda a gente a sorrir, se não estiver a rir.
Quando passa a mão a pedir dinheiro, quase toda a gente dá qualquer coisa sem o habitual ar de desdém! Afinal, que preço tem o nosso riso? O começar o dia bem disposto?
É claro que não tem maldade, tem encanto começar a manhã assim!
Tem uma voz forte, sonora. Em cada viagem escolhe sempre uma carruagem e é aí que investe no seu número! Começa sempre por desejar bom dia a todos os presentes. Vai avançando na carruagem devagar, escolhendo as pessoas que vão ser alvo do seu repertório. Como já o vi algumas 3 ou 4 vezes já reparei que há sempre um troço comum num número que apresenta, mas o que interessa é que continua a ser uma composição vencedora!
Para os homens há sempre as piadas mais fortes, mais malandras. Para as senhoras os discursos mais poéticos, mais florais, sempre seguidos de um: "Não me leva a mal, pois não menina? Não é com maldade. Não tem maldade, pois não?".
E lá vai seguindo cumprimentando toda a gente carruagem a fora:
- Qual é a ultima coisa que tira, ao deitar? Nada?! Não tira nada ?! Tem a certeza? ai, não tira os pés do chão?
Ao chegar ao final da carruagem já está toda a gente a sorrir, se não estiver a rir.
Quando passa a mão a pedir dinheiro, quase toda a gente dá qualquer coisa sem o habitual ar de desdém! Afinal, que preço tem o nosso riso? O começar o dia bem disposto?
É claro que não tem maldade, tem encanto começar a manhã assim!
2004-08-06
Não se escolhem os vizinhos
E é bem verdade!...
O casal por cima de mim não deve conhecimento da amplitude da definição de casamento e do que está por trás de união e comunhão de interesses! Que há vários tipos de casamentos todos nós sabemos mas pelo menos o que se espera passa por entendimento... no entanto os meus vizinhos têm uma definição própria que passa por:
- gritar o suficiente com a mulher ( nunca antes das 2h da manhã) e a ponto de me acordar!, o que me leva a criar novos meios de embalo que podem passar por ouvir Maria João Pires a essas belas horas num tom não tão baixo quanto isso!
Eu bem sei que a solidão é dura como diz o Rui Veloso, mas mais duro deverá ser o desgaste de discussões contínuas que para além de envolverem as personagens mais próximas do argumento, desgastam-me. E eu não me lembro de ter dado o sim à escolha de inferno para toda a vida, por parte deles!!
O casal por cima de mim não deve conhecimento da amplitude da definição de casamento e do que está por trás de união e comunhão de interesses! Que há vários tipos de casamentos todos nós sabemos mas pelo menos o que se espera passa por entendimento... no entanto os meus vizinhos têm uma definição própria que passa por:
- gritar o suficiente com a mulher ( nunca antes das 2h da manhã) e a ponto de me acordar!, o que me leva a criar novos meios de embalo que podem passar por ouvir Maria João Pires a essas belas horas num tom não tão baixo quanto isso!
Eu bem sei que a solidão é dura como diz o Rui Veloso, mas mais duro deverá ser o desgaste de discussões contínuas que para além de envolverem as personagens mais próximas do argumento, desgastam-me. E eu não me lembro de ter dado o sim à escolha de inferno para toda a vida, por parte deles!!
2004-08-05
O homem a quem talvez um dia aconteça qualquer coisa
Os nossos amigos do Gato Fedorento fizeram há tempos uma tirada que era "o homem a quem aconteceu não sei o quê". Esta personagem, que exemplifica figuras do nosso dia à dia, fala sempre de algo que não se percebe em tom ofendido, mas não toma acções, dizendo-se ser uma grande alma!
Mas há mais personagens do nosso dia à dia. Acho mesmo que todos nós temos no nosso caminho alguém que tipicamente nos responde:
- Temos que ver isso.
Um diálogo tipico será algo como:
Nós: É preciso tomar uma decisão em relação a esta situação.
R: É verdade.
Nós: E quando podemos falar sobre o assunto?
R: Sim, temos que falar sobre o assunto.
Nós: Mas nós temos MESMO que dizer qualquer coisa para breve...
R: Sim, temos que ver isso.
Nós: (GRRR... que parte do breve e do temos não percebeste??? !)
Todos os pressupostos e atitudes acontecem no futuro. Nunca há definição sobre o que fazer ou dizer nem tão pouco quando isso vai ter lugar!... Talvez um dia a definição chegue... até lá a estas personagens pouco ou nada vai acontecer: isso será sempre algo para o dia seguinte! Talvez um dia o "temos que ver isso" acabe por chegar!
Mas há mais personagens do nosso dia à dia. Acho mesmo que todos nós temos no nosso caminho alguém que tipicamente nos responde:
- Temos que ver isso.
Um diálogo tipico será algo como:
Nós: É preciso tomar uma decisão em relação a esta situação.
R: É verdade.
Nós: E quando podemos falar sobre o assunto?
R: Sim, temos que falar sobre o assunto.
Nós: Mas nós temos MESMO que dizer qualquer coisa para breve...
R: Sim, temos que ver isso.
Nós: (GRRR... que parte do breve e do temos não percebeste??? !)
Todos os pressupostos e atitudes acontecem no futuro. Nunca há definição sobre o que fazer ou dizer nem tão pouco quando isso vai ter lugar!... Talvez um dia a definição chegue... até lá a estas personagens pouco ou nada vai acontecer: isso será sempre algo para o dia seguinte! Talvez um dia o "temos que ver isso" acabe por chegar!
2004-08-04
Piscas em França
Temos que ser solidários com os nossos amigos emigrantes que neste mês de Agosto resolvem abandonar França e vir visitar o nosso Portugal. Em primeiro lugar trazem sempre carros francófonos e todos nós sabemos como tudo o que é francês tem aquele orgulho muito próprio de o ser! E por isso mesmo vemos os desgraçados a viajar em plena hora de ponta pelas vias de acesso à capital, completamente perdidos quando percebem que estão no sítio errado e que têm que embicar velozmente para a esquerda para cima de um qualquer tuga que por acaso esteja a passar! Como se não bastásse, descobrem que os piscas se recusaram a acompanhar o resto da viatura pois com medo de não serem compreendidos neste recanto da europa, se recusam a tentar arranhar uma qualquer outra lingua que não seja o pisca-pisca francesinho!
2004-01-16
O cromo do fogareiro!
Meio da semana... um comboio perdido... resolve-se apanhar um taxi para o atraso não ser grande. Diz-se bom dia e indica-se o destino. A aventura começa!
Em Lisboa temos o tipico caos matutino nas garndes artérias., mas isso raramente é problema para o tipico fogareiro lisboeta: não há "fossanguice" que não ajude o taxi a aparecer num desvio à direita à última da hora, passando resmas de carros e é claro não deixando nenhum outro fazer o mesmo! Querem ser cromos, sejam taxistas, pois então!
O destino já é visível...
- Pode virar ali à frente à esquerda e parar na esquina, se faz favor?
- ALI???? À esquerda!
Que toada tão melodiosa.... Eu sou cliente sim? Será que percebe o significado?
- São €4.20.
- Queria uma factura se faz favor - ao dar €5.20 para facilitar o troco.
- Para que quero eu os 20 centimos???!
- Para facilitar o troco, talvez?...
- Quando é preciso, não têm dinheiro, depois quando querem, resolvem dar moedas!!
E se calhar estava a pensar que ainda ia ter gorjeta,não?
Em Lisboa temos o tipico caos matutino nas garndes artérias., mas isso raramente é problema para o tipico fogareiro lisboeta: não há "fossanguice" que não ajude o taxi a aparecer num desvio à direita à última da hora, passando resmas de carros e é claro não deixando nenhum outro fazer o mesmo! Querem ser cromos, sejam taxistas, pois então!
O destino já é visível...
- Pode virar ali à frente à esquerda e parar na esquina, se faz favor?
- ALI???? À esquerda!
Que toada tão melodiosa.... Eu sou cliente sim? Será que percebe o significado?
- São €4.20.
- Queria uma factura se faz favor - ao dar €5.20 para facilitar o troco.
- Para que quero eu os 20 centimos???!
- Para facilitar o troco, talvez?...
- Quando é preciso, não têm dinheiro, depois quando querem, resolvem dar moedas!!
E se calhar estava a pensar que ainda ia ter gorjeta,não?
2004-01-02
A culpa é das cuecas azuis!
Sic Notícias, jornal do almoço.
Em primeiro lugar temos as desgraças que acontecem logo no inicio do ano, para nos lembrarem que afinal o banho de realidade acontece, mesmo quando ainda anda toda a gente a disparar "bom ano!", como se desta vez o caderno em branco tem as folhas mesmo limpinhas e bonitas e a pedir só canetas coloridas ...
Depois é a vez dos "futorologistas".... E eis que surge uma senhora entre a cigana e a vidente de um filme de mau gosto espanhol, com um sotaque estranho a dizer que as mulheres portuguesas estão todas enganadas ao vestir a cuequinha azul no primeiro dia do ano, pois o azul é a cor da desgraça!!
Quem diria? Em 2003 Portugal em peso deve ter vestido cueca azul! E pelos vistos o resto do mundo também! Podemos começar por fazer um estudo pelo Iraque!...
Moral da história: para a próxima vistam verde, a cor da esperança; ou vermelho para simbolizar paixão, agora azul é que não!
Vamos ver qual vai ser a próxima cor proibida em roupa interior!
Em primeiro lugar temos as desgraças que acontecem logo no inicio do ano, para nos lembrarem que afinal o banho de realidade acontece, mesmo quando ainda anda toda a gente a disparar "bom ano!", como se desta vez o caderno em branco tem as folhas mesmo limpinhas e bonitas e a pedir só canetas coloridas ...
Depois é a vez dos "futorologistas".... E eis que surge uma senhora entre a cigana e a vidente de um filme de mau gosto espanhol, com um sotaque estranho a dizer que as mulheres portuguesas estão todas enganadas ao vestir a cuequinha azul no primeiro dia do ano, pois o azul é a cor da desgraça!!
Quem diria? Em 2003 Portugal em peso deve ter vestido cueca azul! E pelos vistos o resto do mundo também! Podemos começar por fazer um estudo pelo Iraque!...
Moral da história: para a próxima vistam verde, a cor da esperança; ou vermelho para simbolizar paixão, agora azul é que não!
Vamos ver qual vai ser a próxima cor proibida em roupa interior!
2003-11-26
Trinta e uns
Não sei se toda a gente é como eu, mas eu sou ligeiramente distraída. É fácil aleijar-me sozinha sem esforço de maior. Quando estou em casa a fazer as coisas mais corriqueiras, dou por mim quase a dar trambolhões valentes ou coisas piores e acabo quase sempre a pensar: “um dia destes aqui sozinha, ainda arranjo um trinta e um!”
Desconheço a origem da expressão, mas que ela me assalta o espirito muitas vezes, dado ao número de situações de “quase desastre” que provoco, assalta!
Esta manhã, no meio do meu bailado a trinta e uma velocidades, cheia de sono mas convicta que me ia despachar mais ou menos à mesma hora apesar de ter o dobro das coisas para fazer antes de sair, não consegui encontrar o meu spray para o nariz, que ponho invariavelmente sempre no mesmo sítio! Nem se quer estava caído por perto! Só podia ter acontecido uma coisa: “os meus gatos!” Claro! Resolveram jogar futebol com o raio do spray que agora está enfiado debaixo de qualquer coisa, sei lá eu onde!
Comecei a cruzada desesperada, a procurar em todos os cantos de rabo para o ar o maldito do spray e a resmungar a torto e a direito com os meus gatos que já estavam debaixo da cama a olhar assustados para mim!
Já a maldizer o meu fado, com todos os meus trinta e uns e situações estrambólicas que arranjo, abri uma gaveta num acto de última esperança e lá estava o raio do spray! E é obvio que estava lá das minhas mãos! Os meus gatos são artistas, mas não tanto! É claro que acabei a manhã a pedir-lhes desculpa!...
Acho que os meus piores trinta e uns são mesmo aqueles que a minha cabeça me provoca!
Desconheço a origem da expressão, mas que ela me assalta o espirito muitas vezes, dado ao número de situações de “quase desastre” que provoco, assalta!
Esta manhã, no meio do meu bailado a trinta e uma velocidades, cheia de sono mas convicta que me ia despachar mais ou menos à mesma hora apesar de ter o dobro das coisas para fazer antes de sair, não consegui encontrar o meu spray para o nariz, que ponho invariavelmente sempre no mesmo sítio! Nem se quer estava caído por perto! Só podia ter acontecido uma coisa: “os meus gatos!” Claro! Resolveram jogar futebol com o raio do spray que agora está enfiado debaixo de qualquer coisa, sei lá eu onde!
Comecei a cruzada desesperada, a procurar em todos os cantos de rabo para o ar o maldito do spray e a resmungar a torto e a direito com os meus gatos que já estavam debaixo da cama a olhar assustados para mim!
Já a maldizer o meu fado, com todos os meus trinta e uns e situações estrambólicas que arranjo, abri uma gaveta num acto de última esperança e lá estava o raio do spray! E é obvio que estava lá das minhas mãos! Os meus gatos são artistas, mas não tanto! É claro que acabei a manhã a pedir-lhes desculpa!...
Acho que os meus piores trinta e uns são mesmo aqueles que a minha cabeça me provoca!
2003-10-22
As belas e o trânsito
Quando uma pessoa está parada no trânsito e se entretém a dar uma vista de olhos aos vizinhos do carro ao lado, vê as coisas mais extraordinárias. Há quem leia o jornal, há quem discuta, há quem lanche ou tome o pequeno-almoço e há ainda quem se maquilhe! Até aqui nada de mais, mas nunca tinha visto a própria condutora a maquilhar-se! Ora aqui está um nicho de mercado que deve ser tido em linha de conta!
É verdade que uma boa parte dos carros já tem espelho nas costas das palas o que é muito mais simpático que ter que recorrer ao espelho retrovisor, o que depois faz com que não se veja bem para trás! Uma maçada! Mas ainda assim... Porque não colocar um suporte de batom mesmo ali perto do volante? Ou aproveitar todo o espaço em redor do dito espelho simpático para colocar os pincéis das sombras, o rímel, etc.? E a gama de topo tinha ainda uns “bracinhos” inteligentes que fariam a maquilhagem completa e como extra absoluto, o espelho era falante, mas mais politicamente correcto que o da madrasta da Branca de Neve, claro!!
Não percebo porque razão ainda ninguém se lembrou disto!
É verdade que uma boa parte dos carros já tem espelho nas costas das palas o que é muito mais simpático que ter que recorrer ao espelho retrovisor, o que depois faz com que não se veja bem para trás! Uma maçada! Mas ainda assim... Porque não colocar um suporte de batom mesmo ali perto do volante? Ou aproveitar todo o espaço em redor do dito espelho simpático para colocar os pincéis das sombras, o rímel, etc.? E a gama de topo tinha ainda uns “bracinhos” inteligentes que fariam a maquilhagem completa e como extra absoluto, o espelho era falante, mas mais politicamente correcto que o da madrasta da Branca de Neve, claro!!
Não percebo porque razão ainda ninguém se lembrou disto!
2003-10-21
É mesmo preciso genica matinal?
Os meus gatos parecem achar que sim.
Acordei bem, levantei-me cedo (o que é quase um facto histórico). Hoje vou chegar cedo ao ginásio, é hoje! Mas as coisas não podiam ser assim tão fáceis...
“Bem... grande reflexo rosa faz o cobertor nos lençóis brancos... Espera lá... Claro, qual é a piada de ter uns lençóis brancos?!?”
“Ora dona, não estão muito melhor agora com esta mancha cor de rosa espalhada até ao resguardo? E como bónus estragámos essa coisa rosa que punhas na cara, não estás contente? Não estás?”
“É claro que sim!! Que pode ser melhor que ter que fazer a cama de lavado ás 6 e picos da manhã 3 noites após a ultima vez que a tinha feito de lavado?! Saiam da frente que ainda não estou com capacidade para violência doméstica!!!!”
Raios partam os bichos!
Já no ginásio à hora do costume (será que alguma vez vou chegar a horas?): “tudo bem?”
“Sim, tirando o facto de já ter feito a cama de lavado...”
Boa uma pista só para mim! 400m já estão feitos; toca a começar uns 300m costas... Viragem para os 150m estou a metade e .....PUMBA! Merda porra quem foi o imbecil que resolveu vir para a minha pista sem avisar??? Sem se tornar visível? Chiça! Ainda bem que tenho a cabeça dura! Porra! Ah... não é um imbecil é uma imbecil. Como até gosto de tentar ser cívica ainda disse:
“Peço desculpa, mas não me tinha apercebido que estava mais alguém na pista...” (tipo: será que sabes o que é nadar com mais pessoas numa pista? Estando eu a nadar costas, se calhar era boa ideia avisares que tinhas entrado, certo? Hello??)
“Não faz mal.”
Não faz mal? Não faz mal? E se eu resolver começar a nadar mariposa de punhos fechados para ver se te acerto? É complicado perceber que se eu estou a nadar costas não a vou ver na pista? Que há regras de boa convivência numa pista de natação? Tenho a cara a arder... não me digas que a caramela além de tudo ainda me quis tirar um filete da bochecha!... E não é que tentou mesmo? Chiça! E para ajudar à festa agora está a copiar o meu treino...Grrrrr..... Sim, nadar mariposa de punhos fechados era capaz de não ser má ideia! É bom ter genica logo de manhã, não é?
Acordei bem, levantei-me cedo (o que é quase um facto histórico). Hoje vou chegar cedo ao ginásio, é hoje! Mas as coisas não podiam ser assim tão fáceis...
“Bem... grande reflexo rosa faz o cobertor nos lençóis brancos... Espera lá... Claro, qual é a piada de ter uns lençóis brancos?!?”
“Ora dona, não estão muito melhor agora com esta mancha cor de rosa espalhada até ao resguardo? E como bónus estragámos essa coisa rosa que punhas na cara, não estás contente? Não estás?”
“É claro que sim!! Que pode ser melhor que ter que fazer a cama de lavado ás 6 e picos da manhã 3 noites após a ultima vez que a tinha feito de lavado?! Saiam da frente que ainda não estou com capacidade para violência doméstica!!!!”
Raios partam os bichos!
Já no ginásio à hora do costume (será que alguma vez vou chegar a horas?): “tudo bem?”
“Sim, tirando o facto de já ter feito a cama de lavado...”
Boa uma pista só para mim! 400m já estão feitos; toca a começar uns 300m costas... Viragem para os 150m estou a metade e .....PUMBA! Merda porra quem foi o imbecil que resolveu vir para a minha pista sem avisar??? Sem se tornar visível? Chiça! Ainda bem que tenho a cabeça dura! Porra! Ah... não é um imbecil é uma imbecil. Como até gosto de tentar ser cívica ainda disse:
“Peço desculpa, mas não me tinha apercebido que estava mais alguém na pista...” (tipo: será que sabes o que é nadar com mais pessoas numa pista? Estando eu a nadar costas, se calhar era boa ideia avisares que tinhas entrado, certo? Hello??)
“Não faz mal.”
Não faz mal? Não faz mal? E se eu resolver começar a nadar mariposa de punhos fechados para ver se te acerto? É complicado perceber que se eu estou a nadar costas não a vou ver na pista? Que há regras de boa convivência numa pista de natação? Tenho a cara a arder... não me digas que a caramela além de tudo ainda me quis tirar um filete da bochecha!... E não é que tentou mesmo? Chiça! E para ajudar à festa agora está a copiar o meu treino...Grrrrr..... Sim, nadar mariposa de punhos fechados era capaz de não ser má ideia! É bom ter genica logo de manhã, não é?
2003-09-26
Será falta de ... ?
Sexta de manhã. O peso da semana já está acumulado nos ombros, nas costas, por dentro, parece um pacote chumbo enorme. O cansaço que este chumbo provoca não me deixa ser bem comportada e ir de transportes públicos...
O trânsito para Lisboa começa a estar caótico. Obedece àquelas regras que nunca percebi muito bem: num momento está completamente parado, para passar para um movimento em manada de mais de 100Km/hora!! Já desisti de perceber.
À minha frente está uma fase de pára arranca, seguida de “vamos andar muito devagarinho”. Eu pessoalmente prefiro ir andando devagarinho a ter que fazer arranques parvos, seguidos de travagens bruscas, porque afinal a fase de andar ainda não tinha chegado! Mas o meu vizinho de trás não concorda comigo. Nem ele, nem a mulher. Estão ambos de óculos escuros, com feições e expressões a lembrar os espiões russos nos filmes americanos na altura da guerra fria, a gesticular para eu andar, para ir mais depressa ou para encostar à faixa da direita. Incrédula olho para a frente: quando muito há espaço para três carros. Vão adiantar muito se eu sair da frente! Enfim.... continuo a andar devagar, acelero apenas um pouco, quase a querer gozar um bocadinho com eles! Entretanto vou estudando das reacções. As expressões continuam rijas, inflexíveis, o tema da conversa ainda deve ser a minha pessoa...
Quais as razões que levam um casal a estar tão mal humorado logo pela manhã e tão sem conversa que o meu comportamento de trânsito é um bom mote? Será a falta da queca matinal?
O trânsito para Lisboa começa a estar caótico. Obedece àquelas regras que nunca percebi muito bem: num momento está completamente parado, para passar para um movimento em manada de mais de 100Km/hora!! Já desisti de perceber.
À minha frente está uma fase de pára arranca, seguida de “vamos andar muito devagarinho”. Eu pessoalmente prefiro ir andando devagarinho a ter que fazer arranques parvos, seguidos de travagens bruscas, porque afinal a fase de andar ainda não tinha chegado! Mas o meu vizinho de trás não concorda comigo. Nem ele, nem a mulher. Estão ambos de óculos escuros, com feições e expressões a lembrar os espiões russos nos filmes americanos na altura da guerra fria, a gesticular para eu andar, para ir mais depressa ou para encostar à faixa da direita. Incrédula olho para a frente: quando muito há espaço para três carros. Vão adiantar muito se eu sair da frente! Enfim.... continuo a andar devagar, acelero apenas um pouco, quase a querer gozar um bocadinho com eles! Entretanto vou estudando das reacções. As expressões continuam rijas, inflexíveis, o tema da conversa ainda deve ser a minha pessoa...
Quais as razões que levam um casal a estar tão mal humorado logo pela manhã e tão sem conversa que o meu comportamento de trânsito é um bom mote? Será a falta da queca matinal?
2003-09-22
Cenas desgarradas
Vejo à minha frente um pequeno barco a remos, pintado de verde. Nalgumas zonas do casco já se vê a madeira. Apenas umas tiras pequenas onde o tempo e o sal comeram o verde, como que pinceladas de uma outra mão. O barco vai pesado, quase a tornear com os três pescadores lá dentro a fazerem as suas danças rotineiras procurando manter o equilíbrio com os pequenos empurrões e safanões do mar. Pelo movimento deles imagino que estejam a mexer nas redes. E o movimento das gaivotas dá-me razão. Rodopiam em torno do barco, dentro de água, perto do casco ou no ar em torno das cabeças dos pescadores num choro contínuo a pedinchar peixe! Sempre confiantes que alguma coisa vai surgir baseadas, talvez, num resultado empírico já apreendido pela sua espécie.
Mas o barulho que me chega aos ouvidos traz-me o resto do cenário, ao longe os cargueiros ganham de novo corpo, tal como o comboio para Lisboa, onde é mais difícil criar estas aguarelas soltas das imagens que vemos.
Mas o barulho que me chega aos ouvidos traz-me o resto do cenário, ao longe os cargueiros ganham de novo corpo, tal como o comboio para Lisboa, onde é mais difícil criar estas aguarelas soltas das imagens que vemos.
2003-09-16
Os cromos sairam a rua num dia assim!
Tirando o atraso da praxe, pelo qual mereci de mim mesma um raspanete para ver se me consigo incutir mais disciplina. Nada no desenrolar dos minutos me fazia adivinhar um começo de dia atribulado. Mas iria ter alguns encontros imediatos com os chamados cromos do volante! Tendo em linha de conta que não há muitos repetidos, não é nada de espantar, bem sei, mas que querem?
Cromo um:
Cá estou eu no meu renault descapotável vermelho. E que tem? E que tem o facto de ter mais de 10 anos? Não é vermelho? Não é descapotável? Quase não cabemos os dois? Azar! Eu sou gajo e tenho um descapotável vermelho! Encolhe-te!
(Sim senhor, que remédio)
Cromo dois:
Ainda bem que o chefe me deixou vir com o comercial da empresa. Isto agora e que vai ser apertar com o carro! Vou começar já nesta curva larga, vou apertar, alongar a minha trajectória. Olha, olha, vem uma tipa a descer para aqui. No problem! E da maneira que testo já a maquina na razia matinal!
(O que vale é que a tipa ia devagar!)
Cromo três:
Foge! Não era para aqui que eu queria vir. Não faz mal, faço a inversão de marcha mesmo aqui, num instante. Os outros bem podem esperar um pouco, não lhes faz mal nenhum! O melhor é abrir a janela, assim podem admirar os meus óculos espelhados, a minha barbicha cheia de estilo e é claro a dance music potente que vem do meu rádio!
(Claro! A discoteca portátil a esta hora da manhã, é o meu sonho).
E pensar que tudo isto aconteceu em menos de 10 minutos! O dia promete!
Cromo um:
Cá estou eu no meu renault descapotável vermelho. E que tem? E que tem o facto de ter mais de 10 anos? Não é vermelho? Não é descapotável? Quase não cabemos os dois? Azar! Eu sou gajo e tenho um descapotável vermelho! Encolhe-te!
(Sim senhor, que remédio)
Cromo dois:
Ainda bem que o chefe me deixou vir com o comercial da empresa. Isto agora e que vai ser apertar com o carro! Vou começar já nesta curva larga, vou apertar, alongar a minha trajectória. Olha, olha, vem uma tipa a descer para aqui. No problem! E da maneira que testo já a maquina na razia matinal!
(O que vale é que a tipa ia devagar!)
Cromo três:
Foge! Não era para aqui que eu queria vir. Não faz mal, faço a inversão de marcha mesmo aqui, num instante. Os outros bem podem esperar um pouco, não lhes faz mal nenhum! O melhor é abrir a janela, assim podem admirar os meus óculos espelhados, a minha barbicha cheia de estilo e é claro a dance music potente que vem do meu rádio!
(Claro! A discoteca portátil a esta hora da manhã, é o meu sonho).
E pensar que tudo isto aconteceu em menos de 10 minutos! O dia promete!
2003-09-12
Aqui não está ninguém, o cérebro foi de férias
Há dias assim, o despertador começa a funcionar só porque lhe apetece. Podia ser um despertador sensível, perceber que não estou em condições de acordar, que é cedo demais, que hoje é mesmo cedo demais! Mas não. Toca sempre à mesma hora imbecil! Ao ouvirem o despertador os meus felinos domésticos começam a reivindicar atenção, miam baixinho, enroscam-se mais perto... «Sim, sim... Vou só dormir mais um bocadinho, só mais um bocadinho, ok?». Mas por mais bocadinhos que sejam, o sono fatiado pouco valor tem! Ok, desisto! Eu levanto-me!
Hoje... hoje tinha coisas para fazer de manhã, o que era? Não me lembro. Hum... vou começar a despachar-me.
Estou na cozinha porquê? Porque raios, vim eu à cozinha? Hello? Socorro! Não está cá ninguém, o cérebro pelos vistos foi de férias! Ah! Já sei: para fazer o lanche para levar! Ufa!
O que é que eu queria arrumar, o que era? O que vinha eu buscar? Chiça! O cérebro foi mesmo de férias! Não adianta, quando me lembrar já é tarde. Tenho que ir andando!
Será boa ideia ir de carro? Será que o cérebro vai ligar o modo de condução, ou esse também está de férias? Que disparate o meu, até parece que não conduzo em Lisboa! Temos sempre o privilégio de encontrar outras almas tão ou mais perdidas que nós! E acabamos por perder a sensação de sermos nós os estranhos! Se calhar todos os cérebros de Lisboa foram de férias!
Hoje... hoje tinha coisas para fazer de manhã, o que era? Não me lembro. Hum... vou começar a despachar-me.
Estou na cozinha porquê? Porque raios, vim eu à cozinha? Hello? Socorro! Não está cá ninguém, o cérebro pelos vistos foi de férias! Ah! Já sei: para fazer o lanche para levar! Ufa!
O que é que eu queria arrumar, o que era? O que vinha eu buscar? Chiça! O cérebro foi mesmo de férias! Não adianta, quando me lembrar já é tarde. Tenho que ir andando!
Será boa ideia ir de carro? Será que o cérebro vai ligar o modo de condução, ou esse também está de férias? Que disparate o meu, até parece que não conduzo em Lisboa! Temos sempre o privilégio de encontrar outras almas tão ou mais perdidas que nós! E acabamos por perder a sensação de sermos nós os estranhos! Se calhar todos os cérebros de Lisboa foram de férias!
2003-09-10
Deus quando criou o mundo fodeu-nos bem
Esta frase pode ser lida a saída da estação de Entrecampos num muro em frente. A primeira vez que a vi deu-me vontade de rir, uns dias depois já remoía e resmungava em pensamento que nada podia ser mais verdadeiro! A figura divina só podia ter um humor muito retorcido! É claro que só podia ser um daqueles dias em que parece que estamos a servir de bobo da corte para o senhor lá de cima!! Um pouco como o dia de hoje, aliás.
Só me consegui levantar uma hora depois do meu plano inicial. Estava tão cansada que parece que levei porrada... Começo a resmungar comigo mesma: "devias ter-te levantado logo, precisas de fazer exercício. Depois não te queixes!".
Mesmo assim, consegui despachar-me em pouco menos de uma hora e durante esse tempo todo bocejei de 5 em 5 minutos: o espirito ideal para um belo exercício matinal, claro está!
Raios! O semáforo nunca mais fica verde! Bolas! Acabei de ouvir o comboio a passar, agora é que não o apanho mesmo. Agora não vale a pena ter pressa!... O gajo lá de cima sá pode mesmo andar a brincar comigo! Enquanto vou a ruminar isto tudo e a refilar comigo e com meio mundo, a frase assalta-me novamente: "Deus quando criou o mundo fodeu-nos bem!" Efectivamente!
Sento-me preparada para esperar. O mar esta com uma cor linda a cintilar com a luz do sol. Azul forte no céu, azul brilhante no mar! Pois é, de facto Deus fodeu-nos bem. Deve ser por isso que já estou a sorrir quando vejo todo este azul, enquanto penso no meu atraso... Ele fodeu-nos bem e nos pelos vistos gostamos de ser mal pagos pelo serviço!!
Só me consegui levantar uma hora depois do meu plano inicial. Estava tão cansada que parece que levei porrada... Começo a resmungar comigo mesma: "devias ter-te levantado logo, precisas de fazer exercício. Depois não te queixes!".
Mesmo assim, consegui despachar-me em pouco menos de uma hora e durante esse tempo todo bocejei de 5 em 5 minutos: o espirito ideal para um belo exercício matinal, claro está!
Raios! O semáforo nunca mais fica verde! Bolas! Acabei de ouvir o comboio a passar, agora é que não o apanho mesmo. Agora não vale a pena ter pressa!... O gajo lá de cima sá pode mesmo andar a brincar comigo! Enquanto vou a ruminar isto tudo e a refilar comigo e com meio mundo, a frase assalta-me novamente: "Deus quando criou o mundo fodeu-nos bem!" Efectivamente!
Sento-me preparada para esperar. O mar esta com uma cor linda a cintilar com a luz do sol. Azul forte no céu, azul brilhante no mar! Pois é, de facto Deus fodeu-nos bem. Deve ser por isso que já estou a sorrir quando vejo todo este azul, enquanto penso no meu atraso... Ele fodeu-nos bem e nos pelos vistos gostamos de ser mal pagos pelo serviço!!
2003-08-18
Benzocas à solta em território algarvio
Que o Algarve há já muito tempo se tornou o destino favorito da “crème de lá crème” da nossa sociedade, já todos sabemos. Prova disso são as inúmeras revistas que têm como função dar conta de onde são os sítios in, as festas badaladas, o que foi vestido e onde aconteceu tudo: e nesta altura do ano tudo acontece no Algarve! Ultimamente, até o fogo!
Esta semana começou o festival do marisco em Olhão e como não podia deixar de ser toda a fauna que nesta época paira por terras algarvias estava lá. Com a minha pontaria e karma habitual, logo tinha que ter como vizinhas de mesa (apesar de ter escolhido o lugar com uma boa meia-hora de antecedência) uns belos exemplares da espécie “tia”. Conhecem por certo... andam em grupos, todas vestidas e pintadas da mesma maneira, a falar da mesma maneira, com os mesmos gestos, obedecendo a um compromisso comportamental só visto na dita espécie.
Pelo arcaboiço do guarda-roupa, o género deve ter sido copiado de alguma revista recente do género “cor-de-rosa”, pena que elas tenham olhado apenas para o figurino da revista e não para o seu próprio reflexo no espelho!
Relembro que estamos no festival do marisco e as tias preferem batatas fritas e cachorros!?... Um dos maridos sugere uma feijoada, algo leve para uma noite quente e abafada! Mas por certo foi mais em conta que uma sapateira bem aviada! O acompanhamento e a sobremesa resumiram-se a uns belos Marlboro Light (se calhar também pensam que têm menos calorias e que ajudam a digerir a feijoada! ), com o fumo direccionado aqui para a menina, claro está. As insinuações subtis de virar a cara ou tossir caíram em saco roto. O facto de estar com alergia e me assoar a cada 5 minutos, também não surtiu efeito! E depois de tolerar uns quantos cigarros com o fumo orientado para o meu nariz, ver a cinza jogada no chão, assim como a bela beata (nova moda, nas últimas festas fashion do momento e quem sabe não está no último fascículo “etiqueta da moda” recebido), lá acabei por trocar de lugar! Felizmente que o comportamento ainda não se pega por osmose, se não ainda acabávamos todas com argolas de metro e meio, barriga a sair de tops do tamanho abaixo e com uma boca venenosa por termos perdido a capacidade de ver o nosso próprio ridículo!
Esta semana começou o festival do marisco em Olhão e como não podia deixar de ser toda a fauna que nesta época paira por terras algarvias estava lá. Com a minha pontaria e karma habitual, logo tinha que ter como vizinhas de mesa (apesar de ter escolhido o lugar com uma boa meia-hora de antecedência) uns belos exemplares da espécie “tia”. Conhecem por certo... andam em grupos, todas vestidas e pintadas da mesma maneira, a falar da mesma maneira, com os mesmos gestos, obedecendo a um compromisso comportamental só visto na dita espécie.
Pelo arcaboiço do guarda-roupa, o género deve ter sido copiado de alguma revista recente do género “cor-de-rosa”, pena que elas tenham olhado apenas para o figurino da revista e não para o seu próprio reflexo no espelho!
Relembro que estamos no festival do marisco e as tias preferem batatas fritas e cachorros!?... Um dos maridos sugere uma feijoada, algo leve para uma noite quente e abafada! Mas por certo foi mais em conta que uma sapateira bem aviada! O acompanhamento e a sobremesa resumiram-se a uns belos Marlboro Light (se calhar também pensam que têm menos calorias e que ajudam a digerir a feijoada! ), com o fumo direccionado aqui para a menina, claro está. As insinuações subtis de virar a cara ou tossir caíram em saco roto. O facto de estar com alergia e me assoar a cada 5 minutos, também não surtiu efeito! E depois de tolerar uns quantos cigarros com o fumo orientado para o meu nariz, ver a cinza jogada no chão, assim como a bela beata (nova moda, nas últimas festas fashion do momento e quem sabe não está no último fascículo “etiqueta da moda” recebido), lá acabei por trocar de lugar! Felizmente que o comportamento ainda não se pega por osmose, se não ainda acabávamos todas com argolas de metro e meio, barriga a sair de tops do tamanho abaixo e com uma boca venenosa por termos perdido a capacidade de ver o nosso próprio ridículo!
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