2008-06-26


Da primeira vez que me deixei cair no teu embalo, a ausência de palavras em excesso foi de tal forma forte, que me teria deixado ir sem precisar de conferenciar comigo mesma! Soube que só podíamos ter-nos cruzado num outro tempo, noutra vida em que talvez nos tenhamos perdido!...

E agora que estás perdido nos arranjos que deveriam ser os nossos, sei que apenas te estou a ver pelo vidro da carruagem, noto o teu rosto distante, a sujidade do vidro, o quão embaciado o mesmo está, e o teu reflexo que passa...

Mas ainda que a os comboios agora se partem, é pelos nossos olhares que sei que as nossas almas aguardam a próxima paragem!

2008-05-29

Dias de fuga


Há dias em que me largava. Largava o dia a dia, largava o trabalho, vestia-me de outra e ia passar um dia incógnita! Sem motivo nenhum especial, só para me dar descanso, mostrar-me ou lembrar-me que posso ser outra, ou ser mais quando assim o quero!

E assim, fugida de mim mesma, poderia escolher sem resguardo se seria eu a sair largar o casulo e deste modo virar borboleta de mil e uma cores para todos os espantar sem me deixar apanhar ou se pelo contrário, deixaria a porta aberta, sem metamorfoses…

Talvez porque me faço falta, ainda que de mim fuja, a mim volto sempre: borboleta ou larva, com ou sem casulo!

2008-05-24

Em estado bruto

Diz-se dos diamantes em estado bruto que têm uma beleza inerente que está à espera de ser lapidada para se transformar numa bela pedra para colocar num anel ou noutro adorno qualquer com um brilho capaz de nos deixar de boca bamba ou não fossem os diamantes, “the girls best friends”!
Embora não tenha presenciado muito, creio que as pessoas também têm uma espécie de atributos em bruto; beleza, inteligência, que não podendo ser lapidados, com recurso a paciência e algum treino, podem revelar-se no seu potencial máximo nas pessoas. Basta às vezes que alguém o consiga ver, naquele estado de carbono transparente, puro!

Esta manhã, divagando pelo mercado em Loulé tive a certeza de um encontro com um homem de beleza em estado puro! E durante uns minutos tive a certeza que estávamos perdidos num olhar de medição, como se não houvesse envolvência de espécie alguma ao nosso redor! E o momento não se perdeu, apenas se reencontrou na segunda passagem que fiz. E guardei nos sorrisos trocados, aquele tom caramelo e aqueles olhos verde azeitona, a certeza que de certo modo tínhamos iluminado mais o dia um do outro!
Às vezes custa tão pouco semear um pouco de luz…

2008-05-19

Ritos

Tal como dizia a raposa ao principezinho, sobre os ritos:

«(…) É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!(…)»

A semana passada dei por mim a aceitar o jornal “Meia-Hora” em automático. Aceitei-o com o mesmo pensamento dos últimos tempos: vou levá-lo para que o leias, já que é o teu preferido. Este gesto, tão irrelevante, tão pequeno e tão leve já era para mim uma espécie de rito. A minha maneira de te mostrar que me lembrava de ti. E já não me lembro se foi o meu cérebro a lembrar-me primeiro que já lá não ias estar para te entregar o jornal ou se foi o meu corpo, com o sorriso triste que se me rompeu no rosto enquanto segurava no jornal… e se tinha dúvidas se teriam ou não sido criados laços, as mesmas desapareceram com a certeza de que um acto tão banal como a entrega de um diário “à borla” estará sempre ligado a ti, não um diário qualquer, mas aquele que elegeste como o teu preferido! E apesar da mossa inicial ter sido logo notada, valendo-me a tentativa do vitupério temperamental, também eu sei, por estes pequenos nadas que me lembram de ti, estes “pequenos trigos”, que fui cativada e não tive que pedir por favor!

Obrigada!

2008-05-14

Aninhados?...

Nunca gostei da sensação desconfortável do frio, principalmente daquele que se entranha, que nos gela a cara e que parece ter sempre maneira de soprar por dentro do casaco como se soprasse pela pele a fora, provocando invariavelmente um arrepio que faz com que eu, em particular, me encolha involuntariamente.Esta noite enquanto cruzava os braços para me distrair do frio pensava em como seria agradável estar no sofá a ver um filme no conforto do teu abraço onde nunca há frio, quando a montra do meu lado esquerdo espreita um sofá convidativo e naqueles ímpetos que por vezes me assaltam, aquele sofá com a sua montanha de almofadas pareceu-me o sítio ideal para me aninhar a ti.
E num ápice não há frio nem desconforto, apenas a lembrança do último desafio que ficou por cumprir!

2008-05-12

Temperamental como vitupério?

Não, obrigada!

Segundo o dicionário, temperamental:

adj. 2 gén.,
relativo a temperamento;
de carácter emotivo;
s. 2 gén.,
pessoa que age ou reage de acordo com o seu estado de humor.


Pessoalmente, não considero que alguém que haja com base no seu estado de humor, assumindo que este não é sempre negativo, rancoroso ou resmungão, não me parece necessariamente mau. No entanto, quando dito “és mesmo temperamental”, nunca soa a elogio, pois não? E ainda que seja dito como um vitupério, como uma ofensa largada como se quem a recebesse estivesse num outro plano, ainda assim, qual o plano mais baixo?! O de quem reage com o que tem cá dentro, ou o de quem por nada ter dentro, não reage?
E já agora porque as palavras não podem ser apenas palavras e seja por comparação ou entoação, saltam num ápice a fronteira do louvor para o ultraje?

2008-05-07

Meio gás

Desde a primeira vez que ouvi na rádio a voz da Manuela Azevedo a entoar o "Tira a teima", que não pude deixar de sorrir ao ver uma face de mim escrita e cantada por outrem com uma acutilância quase assustadora! Lembro-me o “não funciono a meio gás” ficou a martelar-me o espírito durante algum tempo.






Não deixa de ser curioso que seja na altura em que a música ecoa em mim como se toda eu fosse um instrumento parte integrante do alinhamento, que deixo de ter chão para querer fugir de ti, que me deixo ficar, sabendo que ao fazê-lo estou a abrir a porta ao fogo que nos engole! E agora que sei que assim é, quem será o sujeito em «(…) fere, rasga e queima(…)»?

2008-05-05

Ponto de desequilíbrio

Caminho pelo muro enquanto procuro manter os meus pratos em equilíbrio. O conteúdo dos pratos varia à medida que a paisagem envolvente dos terrenos atravessados pelo muro vão alterando.

Mas há paisagens mais exuberantes que outras e dou por mim com pratos a menos para tanta variedade a pesar, a medir, a gerir! Espalho-me entre o olhar que tudo quer alcançar, devorar e o acto mecânico que teimo em repetir para garantir que continuo segura em cima do muro.

Enquanto a procura constante não me forçar o desequilíbrio para um dos lados, até quando vou manter tudo o que me alimenta nos pratos da balança?

2008-03-27

Like a bridge


over troubled water

tenho pensado muitas vezes na letra desta música. Sempre gostei da ideia de alguém poder ser a nossa ponte e nos livrar de toda e qualquer tempestade e sempre quis acreditar que eu também conseguia ser a ponte se necessário fosse, pelo menos para ti.
E agora que gostava de estender-me até à outra margem, garantir-te salvo-conduto por entre o mar revolto, sinto que sou apenas carne, fraco material para alicerces!

2008-03-15

The wind beneath my wings

Já não me lembro de quando vimos este filme. Sei que insististe que víssemos as duas porque as do filme eram tão amigas como nós e de certa forma tão iguais e diferentes como nós. E eu vi contigo, por certo com pipocas à mão, para equilibrar a choradeira que por aí vinha… e até hoje a canção do filme está e estará sempre ligada a ti, a nós!
E esta noite, que queria ter mostrada que podia não só ser o teu vento, como toda a tua força, no meio da tua fragilidade, do peso que carregas aos ombros, agora que o teu equilíbrio está prestes a sofrer um rombo tremendo, foste tu que tiveste o cuidado de me avisar para eu não ir abaixo e eu por medo engoli o choro, abracei-te o mais que pude mas fiquei com o gosto de ter sido pouco….
Vou cantarolar a nossa música, para me lembrar que tenho que saber ser o teu pilar!


Ohhhh, oh, oh, oh, ohhh.
It must have been cold there in my shadow,

to never have sunlight on your face.

You were content to let me shine, that's your way.

You always walked a step behind.

So I was the one with all the glory,
while you were the one with all the strain.

A beautiful face without a name for so long.

A beautiful smile to hide the pain.

Did you ever know that you're my hero,
and everything I would like to be?

I can fly higher than an eagle,

for you are the wind beneath my wings.


It might have appeared to go unnoticed,
but I've got it all here in my heart.

I want you to know I know the truth, of course I know it.

I would be nothing without you.

Did you ever know that you're my hero?
You're everything I wish I could be.

I could fly higher than an eagle,

for you are the wind beneath my wings.

Did I ever tell you you're my hero?
You're everything, everything I wish I could be.

Oh, and I, I could fly higher than an eagle,

for you are the wind beneath my wings,

'cause you are the wind beneath my wings.


Oh, the wind beneath my wings.
You, you, you, you are the wind beneath my wings.

Fly, fly, fly away. You let me fly so high.

Oh, you, you, you, the wind beneath my wings.

Oh, you, you, you, the wind beneath my wings.


Fly, fly, fly high against the sky,
so high I almost touch the sky.

Thank you, thank you,

thank God for you, the wind beneath my wings.

2008-03-13

Esgrima


Já sei que sei pegar na espada. Não me lembro como aprendi... Há alturas em que a sinto quase como uma extensão do meu braço, não estranho vê-la lá e nem tão pouco a rapidez com que a utilizo quando reajo em automático! Começo a compreendê-la como parte de mim, a aceitá-la.

Mas não deixo de me espantar quando estou frente a frente contigo e sem aviso prévio, sinto que já desembainhei a espada, oiço o sussurrar do metal como um deslize mudo e o mesmo vibra na minha mão com uma vontade própria e estou a aplacar as tuas ofensivas sem saber como. Há alturas que chego a duvidar das minhas qualidades de espadachim, já que considero tudo um tanto ou quanto inusitado, mas o meu braço treinado não vai parar tão cedo! E ainda que fique dorido, ainda que a espada pese toneladas, ainda que ranja os dentes para continuar a dança da batalha, não vou baixar a defesa!

2008-03-08

Fronteiras e voltar a casa

Na correria do dia à dia que se marca a um ritmo quase sempre alucinante e quase sempre por um relógio que não é o nosso, que marcha incansável, arrastando-nos de qualquer forma, nem que seja aos tropeções! E no meio de tudo isto, há alturas em que dou por mim, esquecida de mim, como se parte de mim tivesse ficado largada a um canto e sem me lembrar dela, nem reparo que já nem sou eu.

Por tudo isso, a capacidade de poder apenas falar e de certo modo sentir a minha pele enrugada ganhar forma, respirar, sorrir e lembrar-me que existe, que sou mais pessoa se o assumir e se a deixar ocupar o seu lugar, leva-me a agradecer a excentricidade de me aturares! Por me lembrares que não preciso de ter fronteiras dentro de mim de certa forma, voltar a sentir-me em casa.

2008-02-26

Quantos dos nossos pecados são apenas imaginados?

Manda a educação cristã que qualquer pensado de contornos pecaminosos que nos invade a mente, seja mencionado em confessionário para absolvição de modo a de alguma forma limparmos a intenção que nos invadiu, ainda que não tenhamos agido sobre a mesma. E invariavelmente, o tipo de associação feita em redor do “pensamento pecaminoso” aponta para o cariz sexual da coisa: “o cobiçar a mulher do próximo”, e não sejamos machistas, o “homem da próxima”!
Convenhamos: todos nós já pensamos em esmurrar alguém ou mesmo, rachar-lhes a cabeça ao meio e não nos vemos propriamente como homicidas! Afinal, é apenas um assalto momentâneo, quando alguém nos irrita para além da normalidade…

Mas as heranças da culpa católica de certa forma assombram mais quando nos vemos com lascívia, do que com um lampejo de gulodice, ganância, etc…

Talvez se possa assumir que existe um limiar que define a linha da imaginação salutar da que nos pode assombrar, ganhar peso e com isso mesmo ter vida própria e poder ser pecado. E de certa forma talvez seja mais sentida do que consciente, essa fronteira, de tal forma que a reacção de culpa surge como resposta automática, ainda que o pecado em si não tenha chegado a existir!

Dita a regra do confessionário que quem peca, assume o acto de contrição e a penitência correspondente, num pecado não consumido, diria eu que o arrependimento, se existe, bem como a culpa, se a existe, fica com quem deixa o pensamento ganhar forma própria… mas de penitência, em penitência, não há resolução!... talvez só cortando a raiz da cobiça, a consciência fique liberta

2007-12-18

Descer ao fundo do poço

Pessoalmente, sempre que me dá a tristeza nos moldes de me encher a alma, a metáfora que me ocorre é a de descer ao fundo de um poço e descê-lo sem protecções, a ponto de estar por dentro em carne viva. Saber que se continuar a descer, as feridas só vão aumentar mas nem por isso conseguir travar a descida!

E ver um resumo escrito por outros, dá-nos sempre a dimensão que não somos, apesar de tudo, assim tão diferentes.

2007-12-17

O poder das bruxas

Sempre achei que o poder das bruxas (boas ou más) lhes era concedido pela abertura que lhes damos. Pelo quão perto as deixamos chegar, pois em última instância, é por aí que elas pegam e é isso que lhes permite deixar marcas.

A última bruxa que ouvi, leu-me uma sentença nas mãos, que ainda por cima já foi corroborada por outros aprendizes, que me tem vindo a ecoar na cabeça nos últimos tempos. Desde que a ouvi, que os meus fantasmas ficaram em posição de alerta! Quase como os pelos ficam hirtos, quando sentem a tensão a aproximar-se. E agora que estava descansada, agora que tudo me parecia tão longe de poder acontecer, tinhas que surgir, quase como um furacão, vindo do nada, para abalar tudo… e o problema maior é que eu deixei… baixei a guarda, porque confiei na força do furacão, porque achei que talvez fosse altura da profecia da bruxa se concretizar, que talvez fosse a minha hora… porque apesar de todas as minhas capas, sempre soube que sentia falta das borboletas do estômago, do nó na garganta só de pensar no assunto e no meio disto, olhar para baixo dos pés e saber que voar vai ter um preço caro! Constatar que mesmo antes de descolar, já estou no chão e a mal dizer ter deixado a profecia assombrar-me.

A frase da bruxa vai continuar, pendente no ar, sem concretização. Só espero que da próxima não a deixe propagar-se a ponto de me deitar ao chão novamente! Afinal, ela pode ser a bruxa, mas quer a mão e quer a vida são minhas! E se não tenho capacidade de ter mais brechas, não posso por o flanco a jeito!

2007-12-05

Enterrar-te


Já há algum tempo que sei que te enterrei. Já o sabia, antes da cerimónia que escolhi fazer este ano. Escolhi-a, por me lembrar da alegria com que fui tirar o passaporte na expectativa da viagem que iria inaugurar o mesmo com um carimbo colorido. A mesma que esteve sempre perdida no ar, sempre num sussurro das conversas que tínhamos noite fora, nos espólios que trazias na tua mochila, vindo de um sítio qualquer perdido no mundo. Mas nem por isso o carimbo esteve perto de tocar no meu passaporte.

E depois de ter gasto mais lágrimas do que devia, depois de ter sangrado a ponto da cicatriz nunca mais desaparecer, depois de saber há já tanto tempo que ainda que os nossos caminhos se voltem a cruzar, não há linhas que nos possam coser novamente, achei que deveria representar o teu enterro com o símbolo que de certa forma marcou o fim: o carimbo que nunca estreou o meu passaporte!

E meti-me num avião e levei uma mochila comigo e mostrei a mim mesma que mesmo sem ti, eu estava a ter o meu carimbo. Mostrei a mim mesma, que não preciso de ti para fazer uma viagem diferente. Provei que não preciso de bengala e foi aí, na primeira vez que perdi o meu olhar no horizonte, com o sol a bater no fundo, que senti, mais do que soube, que já não tinha mais lágrimas para ti!

2007-12-01

Quando o corpo chora

E chora porque há dias assim, em que até a alma me pesa. Em que a corda que me faz estar como um todo está tão esticada que de tanto a sentir, me parece externa a mim mesma! Mas ainda assim, como marioneta bem treinada que sou, tento fazer mais uma pirueta, agradar ao grego e ao tirano e é mesmo no aterrar que descubro que falhei o salto, que não vou aterrar de pé e constatar que além de não ter ninguém a segurar a queda, ainda sinto pés de outros sobre mim. E é aqui que penso se me levanto ou não e as minhas dores crescem, tornam-se maiores a mim e raiam o embalo, como se me deixasse apagar levemente. Sair de mim, deixar de sentir.
Mas ainda assim, tal como os gatos que tanto gosto, quero enrolar-me sobre mim mesma, lamber as feridas e ficar assim à espera que o corpo volte a ser meu. E nesse momento, se me arrancasses à toca, talvez as lágrimas do meu corpo deixassem de escorrer!

2007-11-06

Obrigada mano!

Estar para sair mais uma vez tarde, naquele engano que mais um pedacinho me vai permitir salvar o mundo apenas para constatar mais um vez que não. Apenas para ser interpelada como se não tivesse mais nada que fazer sem estar de prontidão, só porque sim, independentemente das horas. Ouvir exaltações dos outros cuja metodologia de gestão caminha para a “goelas oriented”, para chegar a duvidar de mim mesma.

E tudo para acabar com um mimo do mano que bem disposto me espera no carro, que me leva a casa e que me oferece um tripé para me lembrar de não me esquecer da minha fotografia! E num ápice sou eu outra vez!

2007-10-02

marcas do tempo

Tempo que passa deslizando,
como se o sulco marcado na descida da colina

já estivesse há muito marcado.

Como se fosse esse o único caminho possível.

Corre no seu próprio horário,
quase como se o dia não fosse o meu,
quase como se eu apenas estivesse a ver a torrente passar.

E na pressa de deslizar,
com todo o peso que traz consigo torna-se espesso,
escorrega como lava, queima-me com a sua presença!

Para que não me esqueça de que passou,
mas continuo à espera do tempo
que corra solto, leve e que qual rio que me acompanha,

que me refresca e que considere meu!

2007-09-25

Ser armadura

A armadura serve como segunda pele.
já perdi a noção da primeira vez que a vesti,
creio que a teci por entre memórias que já não queria,
com linhas rejeitadas de por todos à minha volta,
e com o barulho de fundo de todos os gritos que sempre abominei.

Com a prova terminada, vesti-a e ela tornou-se eu
ou eu tornei-me em parte ela.
Já não está na lista do que levo comigo,
Mas está sempre presente nos meus ossos,
Como uma segunda natureza!

Não deixa pois de me espantar que venhas
do fundo do nada e me desafies a larga-la
como se eu ainda conseguisse ser apenas eu!